Eclesia Ágape

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Estrutura da Igreja Primitiva

1. LIDERANÇA

I Coríntios 12.28: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.

A Igreja precisava de uma liderança forte e preparada para vencer os desafios que enfrentaria. Dentre várias funções na Igreja Primitiva, se destacam os seguintes papéis de liderança:

a)Apóstolos: Os apóstolos foram aqueles primeiros discípulos que Jesus chamou e enviou (Lucas 6.13). Apóstolo significa enviado. Então podemos concluir que um apóstolo era alguém que teve um encontro pessoal com Cristo (II Coríntios 12.12) e anunciava o evangelho liderando a igreja, cuidando de sua doutrina (Atos 2.42) e reconhecidos no colégio apostólico (Atos 1.25). Os apóstolos lideravam todo o restante da igreja com os diversos dons e funções.

b)Bispos: Os bispos ou epíscopos são supervisores dos líderes da Igreja (Atos 20.28; Filipenses 1.1; I Timóteo 3.2; Tito 1.7). O epíscopo tinha a função de exortar a Igreja defendendo a doutrina contra as heresias (Atos 20.28-31). Também era alguém com testemunho provado pela igreja para ser “irrepreensíveis” dentre outras qualidades (I Timóteo 3.2; Tito 1.7). Podemos concluir que seriam pastores de pastores.

c)Presbíteros: A palavra presbítero pode ser traduzida como ancião e designa um líder experiente da comunidade exercendo o pastoreio (I Pedro 5.1-4). Era alguém aprovado e com bom testemunho (I Timóteo 5.17). O presbitério era o corpo de presbíteros ou anciãos da igreja (I Timóteo 4.14). Haviam eleições ao presbiterado (Atos 14.23). Tinham a função de resolver questões doutrinárias (Atos 15.6), tomar decisões pela igreja (Atos 15.4), ungir enfermos (Tiago 5.14) e doutrinar o rebanho (I Timóteo 5.17).

d)Diáconos: Diaconia significa serviço. Os diáconos foram levantados para servir aos necessitados da igreja e ajudar os apóstolos (Atos 6.1-7). A tarefa do diaconato era externa à congregação, atender aos órfãos e às viúvas em suas necessidades (Atos 6.1). Os primeiros sete diáconos foram escolhido por uma eleição recebendo a imposição de mãos dos apóstolos (Atos 6.5), o que mostra a ação democrática da Igreja Primitiva. Havia critérios específicos quanto ao perfil dos diáconos (Atos 6.3), que deviam ter um testemunho exemplar (I Timóteo 3.8, 12, 13).

Os apóstolos eram os primeiros líderes da Igreja Primitiva (I Coríntios 12.28), em seguida haviam bispos, presbíteros e diáconos. Este corpo pastoral estava presente em várias igrejas, mas nem sempre era igual em todas as comunidades que poderiam ter um formato diferenciado de acordo com a necessidade.

2. CONCÍLIO:

Atos 15.6: “Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto”.

A Igreja tomava suas decisões em conjunto através de um concílio reunindo seus líderes e o povo. A comunidade dos judeus estava acostumada com o processo de decisões através do sinédrio com representantes anciãos do povo. O Concílio era o órgão principal para suas escolhas, ações e doutrinas.

O livro de Atos descreve três concílios ou reuniões:

1)    A primeira vez que os cristãos se reuniram foi para eleger um substituto para Judas no colégio apostólico (Atos 1.15-26). A reunião contou com cento e vinte pessoas (Atos 1.15) e Matias assumiu lugar entre os apóstolos (Atos 1.26).

2)    A segunda reunião foi para resolver o problema da assistência às viúvas, elegendo os diáconos (Atos 6.1-7). A assembleia tinha um número muito maior que a última contando também com cristãos helênicos ou de origem grega, devido ao crescimento entre os gentios (Atos 6.1).

3)    O terceiro encontro de decisão comunitária da Igreja foi registrado em Atos 15. Estavam ali inúmeros cristãos com os apóstolos, Paulo e Silas representando a Igreja em Antioquia (Atos 15.2,3) e até mesmo fariseus participaram (Atos 15.5). A pauta de assuntos em questão era sobre seguir ou não à lei e a circuncisão (Atos 15.1 e 5). Todos tiveram oportunidade de compartilhar suas opiniões (Atos 15.4,5), havendo um “grande debate” (Atos 15.7) até que chegaram a um acordo conduzidos pelo Espírito Santo (Atos 15.28).

As decisões do concílio eram tomadas através de eleições (Atos 6.5; 15.7, 22, 25). Sempre com oração e imposição de mãos (Atos 1.24; 6.6). Isso revela uma espiritualidade democrática entre os primeiros cristãos.

O objetivo do concílio era conciliar, como o próprio nome diz. Tudo devia acontecer com respeito levando todos a um acordo comum e preservar a união do Corpo de Cristo em prol da obra missionária.

3. DONS E MINISTÉRIOS:

I Coríntios 14.12: “Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja”.

A Igreja Primitiva recebeu o poder do Espírito Santo e cada membro tinha o dom espiritual para exercer seu ministério no Corpo de Cristo. Várias listas de dons estão descritas em textos como de Romanos 13.3-8 e 1 Coríntios 12. Sendo assim, cada igreja local se organizada de acordo com os Dons e Ministérios que havia entre seus membros.

Qual a diferença entre Dom e Ministério ?

  • DOM: capacidade dada por Deus para exercer uma tarefa especial. É um presente. Cada pessoa tem um talento diferenciado e deve buscar dons para fazer a obra de Deus (I Coríntios 12.31).
  • MINISTÉRIO: é um serviço ou tarefa a ser realizada de acordo com o dom recebido. Existe trabalho para todos na seara do Senhor (Colossenses 4.17).

Cada crente tinha seu dom recebido por Deus para exercer um ministério. Isso promovia uma diversidade de ministérios (I Coríntios 12.4-7) com objetivo de atender às necessidades da comunidade. Com isso havia mutualidade, interdependência e união entre os irmãos.

4. CARTAS PASTORAIS:

II Coríntios 2.9: “E para isso vos escrevi também, para por esta prova saber se sois obedientes em tudo”.

Através de cartas, os apóstolos da Igreja orientavam o povo como deviam proceder em suas relações e resolver os problemas. Isso ocorria principalmente porque muitas vezes os apóstolos estavam presos (Filemom 1.1), então deviam enviar suas correspondências com a mensagem às igrejas (Apocalipse 1.11).

As cartas pastorais ou epístolas se tornaram documentos da Igreja com as recomendações de como a Igreja deveria proceder em diversas situações.

Alguns assuntos das cartas pastorais:

  • Obediência às lideranças da Igreja (Hebreus 13.7);
  • Respeito às autoridades (I Pedro 2.13-17; I Timóteo 2.1,2);
  • Organização do culto e Santa Ceia (I Coríntios 14.33 e 40);
  • Questões de conflito entre irmãos (I Coríntios 6.1-11 e Filipenses 4.2);
  • Problemas doutrinários (Romanos 16.17 e I Coríntios 8.1-13; 15.1-58);
  • Orientações à liderança local (Tito 1.5 e I Timóteo 3.1-10);
  • Respostas a dúvidas dos irmãos (I Coríntios 7.1).

Muitos outros assuntos foram abordados nas cartas pastorais do Novo Testamento. Através destes registros a Igreja definiu seu formato e doutrinas. Se não tivéssemos estes textos não teríamos documentos comprovando o pensamento dos primeiros cristãos.

Os discípulos dos apóstolos, chamados de Pais da Igreja ou Pais Apostólicos, também escreveram textos que foram orientadores da doutrina cristã na Igreja Primitiva1. Muitos destes Pais foram grandes pensadores que defenderam a doutrina cristã e usavam seus escritos para orientar os novos convertidos deixando um legado importantíssimo para a Igreja até os dias atuais.

Deus quer uma Igreja Preparada!

– CONCLUSÃO

Efésios 4.15: “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.

A Igreja Primitiva tinha uma eclesiologia simples e completa. Basicamente se organizavam através da figura de seus líderes com os apóstolos, bispos, presbíteros e diáconos, cada um respeitando sua função. As decisões maiores eram tomadas em conjunto através dos concílios. Cada cristão tinha oportunidade de participar de um ministério exercendo seu dom no Corpo de Cristo. Demais detalhes eram determinados nas cartas com orientações dos apóstolos.

Cremos que Deus em sua infinita bondade e “multiforme graça” (I Pedro 4.10) nos permite hoje ter vários outros modelos de organização eclesiástica.  Muitas vezes as funções são as mesmas e apenas os nomes são novos. Tudo mais pode ser renovado na Igreja, só a cabeça que não pode sair do lugar. Se Cristo é o Cabeça da Igreja então todo o restante está correto.

O maior líder da Igreja é o seu dono: Cristo !

Fonte: http://www.esbocosermao.com

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RODRIGUES, Welfany Nolasco. A Evangelização na Igreja Primitiva. Belo Horizonte: Filhos da Graça, 2015. Página 25-27.

Índice

“O sentido da Eclesia no Novo Testamento”

Por Edward Hugh Overbey

  1. Introdução
  2. Eclesia no Grego Clássico
  3. Eclesia na Versão dos “Setenta”
  4. Eclesia no Novo Testamento
  5. Eclesia nas Passagens Difíceis no NT
  6. Conclusão

1. Prefácio

Eis aqui num livro, simples em estilo, mas ainda profundo em pensamento. É digno, com certeza, de uma consideração cuidadosa pela maioria erudita de nossos líderes batistas, indiferente das crenças presentes no assunto. É um livro que deve estar nas mãos de cada pastor batista em nosso país.

O pastor Overbey faz bem em chamar nossa atenção a um exame cuidadoso do significado da palavra “eclesia”, que é traduzida “igreja” nas Bíblias em português. Ele vai direto ao assunto concentrando a atenção sobre o significado bem estabelecido da palavra. Foi a falha dos sistemas Alegórico, Místico e Devocional de interpretação, de fazer pouco caso do significado comum das palavras e regras essenciais de exegese. Milton S. Terry, escrevendo sobre o antigo método alegórico diz: “Deve ser notado imediatamente que seu hábito é fazer pouco caso do significado comum das palavras, e dar margem a todos os modos de teoria fantástica. Este método não retira o significado legítimo da linguagem de um autor, mas a falsifica de acordo com o capricho ou gosto do intérprete. Como um sistema, portanto, ele se coloca além de todos os princípios de leis bem definidos. (Hermenêutica Bíblica, 2º Edição)#. É contra este tipo de interpretação, que faz certas palavras como massa nas mãos do intérprete, que nosso autor escreve com tanto efeito. No momento em que o intérprete abandona o método gramático-histórico de interpretação, o qual dá atenção total ao significado das palavras, ele não tem um princípio regular para governar sua exegese. Assim a palavra para a igreja, eclesia, tem se tornado um nariz de cera, que é torcido e transformado em muitas formas e significados.

Aqui está um remédio saudável para interpretação livre do significado e natureza da igreja. Os batistas, há muito tempo têm aceito esta doutrina protestante, a qual tem servido como um “mecanismo de escape”, através do qual muitos têm fugido de suas responsabilidades à instituição local que Jesus Cristo estabeleceu, assim “fazendo a palavra de Deus sem nenhum efeito pela tradição deles”.

Esta tese deve-se tornar um antídoto eficaz à crença popular de uma igreja invisível universal, e todos os seus diversos efeitos e tentativas infelizes – ecumenismo; multiplicação de organizações extra-eclesiásticas; menosprezo do estudo cuidadoso da natureza, ordenanças, disciplinas, oficiais, governo e missão da igreja; e a depreciação resultante da importância de trabalhar em e por uma igreja verdadeira do Novo Testamento.

É nossa crença que muitos que estudarem este documento com cuidado, chegarão à conclusão de John Ebrard, o internacionalmente reconhecido alemão e erudito pré-milenário que disse: “Uma igreja invisível é em si mesma uma contradição “em adjecto”.. Devemos portanto rejeitar este uso de ecles. invis. O significado dele não é Igreja, mas o reino de Deus como ainda invisível, mas no futuro visivelmente erigida.” LOUIS A. MAPLE

Pastor da Igreja Batista de East Maine, Niles, Illinois

 

Capítulo I

INTRODUÇÃO

A palavra Igreja é usada em nossas versões brasileiras da Bíblia para introduzir a palavra grega eclesia. Algumas informações sobre a palavra igreja nos ajudarão a entender melhor o assunto.

De acordo com a maioria dos estudantes da palavra, “igreja” vem do grego e significa “do Senhor”, com a palavra “casa” geralmente subentendida. É usada no Novo Testamento referindo-se à Ceia do Senhor, I Cor. 11:20, e para se referir ao dia do Senhor, Apoc. 1:10. Logo no início do séc. III a palavra era usada para se referir ao lugar onde os crentes se reuniam. Ao se referir ao lugar onde os crentes adoravam, o povo o chamava “do Senhor”, com a palavra casa subentendida. Depois de um período de centenas de anos, a palavra grega original passou a várias línguas européias quando a Cristandade foi trazida aos povos da Europa. O tempo e as peculiaridades de cada língua tiveram seus efeitos sobre a palavra, mas a mesma ainda continuou reconhecível. Em inglês é “church”, no inglês antigo “cirice”, no alemão “kirche”, em escocês “kirk” e no escandinavo antigo “kyrka”

Uma autoridade resume a informação assim:

A derivação posterior tem sido veemente discutida. O circo em Latim, e uma palavra gótica, kelikn ‘torre, câmara superior’ (provavelmente com sua origem na língua gaulesa) têm sido propostas (a última sugerida pela palavra alemã chilihha), mas são postas de lado como insustentáveis; e há agora um acordo geral entre os estudantes da Bíblia em referi-la à palavra grega kuriakon, um objetivo usado corretamente ‘do Senhor’, dominicum, dominical (francês – kurios senhor), que ocorre, desde o terceiro século pelo menos, usada substantivamente (escocês – doma, ou o igual) = ‘casa do Senhor’, como o nome da casa de adoração dos crentes. Destes os exemplos mais antigos são citados nas Constituições Apostólicas (II.59), em 300, o édito de Maximiniano (303-313), citado por Eusébio (Ec. Hist. IX. 10) em 324; os concílios de Ancyra em 314 (cânon 15), Neo-Cesaréia 314-23 (cân. 5), e Laodicéia (cân. 28). Desde então parece ter sido em uso comum no leste: Por exemplo, Constantino nomeou várias igrejas construídas por ele. (Eusébio De La Laud. Const. XVII). (J. A. Murray, Um Novo Dicionário Inglês Sobre Princípios Históricos. Vol. II).#

A palavra igreja hoje tem uma variedade de significados, alguns dos mais comuns sendo: o lugar onde a assembléia dos crentes se reúne; assembléia cristã; o culto de adoração; a profissão do clero; todos de uma mesma denominação; todos os crentes professos vivos ou mortos.

Antes de continuar mais nosso assunto, podemos dizer sem medo de contradição que todos esses significados não podem ser atribuídos a palavra eclesia no Novo Testamento. Nenhum estudante da Bíblia que conhecemos atribui mais do que dois ou três destes significados à eclesia no Novo Testamento.

Já que a palavra igreja é um termo muito vasto e que tem muitos significados possíveis, e eclesia é um termo mais limitado, devemos ter o cuidado em nosso estudo, para não trazermos os presentes significados da igreja em eclesia como encontrada no Novo Testamento. Hort reconheceu este perigo ao dizer:

A razão pela qual escolhi o termo eclesia é simplesmente para evitar ambigüidade. O termo português igreja, agora o representante mais familiar de eclesia para a maioria de nós, carrega consigo associações derivadas de instituições e doutrinas dos últimos tempos, e assim não podem, no presente, sem um esforço mental constante ser levada a transmitir a força completa e exata que pertenceu originalmente a eclesia. (F. J. A. Hort, A Eclesia Cristã). #

A palavra igreja não devia estar em nossas versões do português hoje, para representar eclesia. Sua aparição no Novo Testamento, cremos, tem obscurecido o verdadeiro significado. A palavra igreja não foi usada nas versões de Tyndale, Coverdale e Bíblia de Cranmer (A Grande Bíblia). Estas e outras versões usaram a palavra congregação para traduzir eclesia. Hort diz:

‘Congregação’ foi a única tradução de eclesia no Novo Testamento Inglês que permaneceu firme durante o reinado de Henrique VIII, a substituição de ‘igreja’ sendo dada pelos revisores genoveses; e ela mantém sua posição na Bíblia dos Bispos numa passagem não menos principal que Mateus 16:18, até a revisão Jacobina de 1611, a qual chamamos Versão Autorizada (Op. Cit.)

De fato é muito provável que ela não tivesse aparecido na versão do Rei Tiago se não existisse as quinze regras que este Rei deu aos tradutores, para guiá-los no seu trabalho. A regra três afirma: ‘As antigas palavras eclesiásticas têm que ser mantidas, por assim dizer, a palavra igreja, não é para ser traduzida congregação, etc.’ (K. W. Robinson, A Bíblia em Suas versões Antiga e Inglesa). #

No longo prefácio à Bíblia do Rei Tiago em 1611, que não é mais imprimida hoje, nem tem sido a muito tempo, está escrito:

Ultimamente, temos de um lado evitado a escrupulosidade dos puritanos, que deixam as palavras eclesiásticas antigas, substituindo-as por outras, quando colocam lavando pelo batismo, e congregação em vez de igreja. (J. R. Dore, Bíblias Antigas: um registro das antigas versões da Bíblia em inglês). #

Em nosso estudo da palavra eclesia no Novo Testamento está claro que devemos ser cuidadosos em destacar a palavra igreja dele, para que leiamos em eclesia o significado da palavra igreja, sem preconceitos que possamos ter pelo uso comum da palavra (igreja) hoje em dia. *

Nosso plano, em geral, neste estudo será examinar a palavra antes dos tempos do Novo Testamento usando o contexto imediato para saber seu significado.


Por Edward Hugh Overbey
Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02
Revisão e editoração: Calvin, David and Daniel Gardner 03-03

http://www.obreiroaprovado.com

EXPLICAÇÃO DOS SÍMBOLOS
(#) – Título do livro – traduzido
(*) – Acrescentado para esclarecimento
(?) – Exemplo irrelevante. Omitido, pois não pode ser traduzido em português com um significado coerente.
(?) – Nota do editor. Pode referir-se ou ser comparado com a Bíblia Corrigida (João Ferreira de Almeida) à tradução do rei Tiago, e a Autoridade em português à Americana Padrão.

2. Eclesia no Grego Clássico

Liddell e Scott definem eclesia como “uma assembléia de cidadãos convocado pelo pregoeiro; assembléia legislativa”. (R. Scott e H. G. Liddell, Uma Léxica Greco-Inglesa). # A léxica de Thayer diz: “uma assembléia de pessoas convidadas a ir ao lugar público de concílio com o propósito de deliberarem” (J. H. Thayer, Uma léxica Greco-Inglesa do Novo Testamento) # Trench dá o significado como “a assembléia legal, numa cidade grega livre, de todos os possuidores dos direitos da cidadania, para a transação de negócios públicos” (R. C. Trench, Sinônimos do Novo Testamento, 7a edição).# O dicionário de Seyffert afirma “A assembléia de pessoas, que em cidades gregas tinham um poder da decisão final em negócios públicos” (Oscar Seyffert, Um dicionário de Antigüidades Clássicas).# Thomas diz:

Era assembléia organizada de eleitores autorizados da comunidade local, reunidos para resolver negócios de interesse comum. Corresponde à reunião da cidade na Nova Inglaterra nos últimos dias. (Jesse B. Thomas, A Igreja e o Reino).#

Ewing escreve:

Em cada caso, a palavra significa um corpo organizado, em oposição a uma reunião casual. A assembléia em Éfeso não parece ser exceção a esta interpretação, quando as pessoas evidentemente se reuniram para ter uma assembléia judicial em sua capacidade coletiva, com tudo tumultuosa em suas deliberações. Eles invadiram o teatro, como os atenienses faziam com freqüência em “bou leuterion”, ou fórum, quando Demostenes discursava a eles. (Greville Ewing, Uma Léxica Grego-inglesa, 3a edição).#

O Livro de Dana diz:

No uso clássico eclesia significa “uma assembléia”. Era derivada de uma combinação de raiz grega e preposição prefixada, com significado final que era chamada – Sentido de Convocação. Comumente era usada em referência as corporações de representantes qualificados “chamados = convocados”, para funções legislativas. (H. E. Dana, Um Manual de Eclesiologia, 2a edição).#

Estas citações são um exemplo justo de eruditos competentes sobre o significado da palavra eclesia no grego clássico. A opinião é unânime de que a palavra significa uma assembléia de cidadãos de uma cidade em particular, que se reuniam de tempos em tempos, para resolverem negócios de sua cidade.

Poucas palavras deviam ser ditas sobre a etimologia de eclesia, antes de passarmos ao próximo capítulo. A léxica de Thayer afirma: “francês” = “ekkletos” – uma reunião dos cidadãos convocados das suas casas para um lugar público = uma assembléia, e esta palavra veio da palavra raiz = “ekkaleo” (J. H. Thayer, Op. Cit.). Esta parece ser a opinião unânime de todos os eruditos gregos. Uma distinção deve ser mantida entre a etimologia (ou raiz) de uma palavra e seu significado em algum tempo particular na história. Ás vezes os dois são o mesmo; muitas vezes são completamente diferentes.? “Const?vel” veio de “camis est?bule” que significava ‘assistente de est?bulo’ hoje significa um oficial de paz. “Eclesia” veio de “ekkeletos” que significava “convocar”, mas no tempo anterior ao Novo Testamento significava assembléia ou assembléia convocada. Dizer que ela significa o chamado não é certo. Broadus escreve:

A palavra grega eclesia significou primeiramente a assembléia de cidadãos num estado auto governado, sendo derivada de ekkaleo “para convocar”; no sentido como por exemplo fora de suas casas ou lugares de negócio, para convocar, como dizemos ao convocar a milícia. A noção popular que ela significa chamar no sentido de separação dos outros, é um erro (John A. Broadus, Comentário sobre o Evangelho de Mateus, volume 1 de um comentário americano sobre o Novo Testamento).#

Hort também confirma isto ao escrever:

Não há fundamento para a noção amplamente espalhada de que eclesia signifique um povo ou um número de indivíduos “chamados para fora” do mundo ou raça humana (F. J. A. Hort, Op. Cit.).

 

Por Edward Hugh Overbey
Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02
Revisão e editoração: Calvin, David and Daniel Gardner 03-03

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EXPLICAÇÃO DOS SÍMBOLOS
(#) – Título do livro – traduzido
(*) – Acrescentado para esclarecimento
(?) – Exemplo irrelevante. Omitido, pois não pode ser traduzido em português com um significado coerente.
(?) – Nota do editor. Pode referir-se ou ser comparado com a Bíblia Corrigida (João Ferreira de Almeida) à tradução do rei Tiago, e a Autoridade em português à Americana Padrão.

3. Eclesia na Versão “dos Setenta”

Determinar o significado da palavra eclesia no Novo Testamento é importante no estudo do seu contexto no grego clássico e na versão dos Setenta. A versão dos Setenta esteve em uso durante os tempos do Novo Testamento e os escritores do Novo Testamento que usavam a palavra, talvez fossem influenciados de algum modo pelo uso da versão dos Setenta. Talvez a melhor maneira de examinar a palavra nesta versão é dar os resultados dos estudos dos três eruditos no assunto. Resumiremos seus achados e acrescentaremos alguma informação que observamos em nosso próprio estudo.

Na versão dos Setenta “eclesia” é usada quase que cem vezes. Ela traduz a palavra hebraica “qahal” que significa assembléia ou congregação. No hebreu há duas palavras usadas para a reunião do povo de Israel: ‘edhah’ e ‘qahal’. Hort diz:

Nenhum dos dois termos hebreus eram estritamente técnicos: os dois, ás vezes, eram aplicados a tipos muito diferentes de reuniões ou ajuntamento de pessoas, apesar de que qahal teve sempre uma referência humana de algum tipo; reunião de indivíduos ou de nações. As duas palavras coincidiam tanto no significado, que em muitos casos podiam ser aparentemente usadas sem diferença, mas no primeiro exemplo, não eram estritamente sinônimas. Na língua hebraica, ‘Edhah’ (derivada de uma raiz y’dh usada no Niphal = (forma de conjugação dos verbos na língua hebraica)*, com o sentido de reunir, especialmente em reunir para consulta ou acordo é correta, quando aplicada a Israel, à própria sociedade, formada pelos filhos de Israel ou seus cabeças representativos, quer reunidos ou não. Por outro lado “qahal” é corretamente a reunião em si: por isso temos poucas vezes a frase, “qahal ‘edhah” – a assembléia da congregação (Op. Cit.)

Eclesia nunca traduz a palavra hebraica ‘edhah, a qual Hort diz poder ser “Israel quer reunido ou não”, mas traduz qahal, que significa assembléia.

Dana diz, falando sobre a versão dos Setenta: “Nela eclesia foi usada para traduzir a palavra hebraica qahal que significa uma assembléia, convocação ou congregação” (H. E. Dana, Op. Cit.).

Dana nota seis variações na versão dos Setentas, no modo como eclesia é usada.

(1) É usada cinco vezes para indicar simplesmente uma agregação de indivíduos, sem referência a qualquer caracter religioso específico … (2) Treze vezes se refere a um grupo reunido para um propósito especial … (3) Em vinte e seis exemplos a referência é a uma assembléia em uma localidade particular, para propósitos religiosos, geralmente para adoração … (4) É claro que a ocorrência mais freqüente do termo é para denotar uma reunião formal de todo povo de Israel, na presença de Jeová, sentido no qual é usada trinta e seis vezes … (5) Em sete lugares a palavra designa todo Israel em um sentido ideal, como a possessão peculiar de Jeová. Não séria correto dizer que este uso reflete “o Israel espiritual”, pois significa indubitavelmente a nação literal; nem pode ser propriamente descrito como a “Igreja Hebraica”, pois era uma nação e não um corpo eclesiástico. É usada para descrever certas barreiras que preveniam alguém de se tornar um participante nos privilégios do povo escolhido de Deus, embora nenhuma assembléia particular do povo de Deus esteja em mente, como em Deuteronômio 23:3: “Nenhum amonita, nem moabita entrará na congregação do Senhor”. (Ver também Lamentações 1:10). Está claro que se refere a um princípio geral, a aplicação real da qual séria literal do povo num tempo e lugar definidos. O Velho Testamento e a literatura judaica em nenhum lugar usam eclesia onde possa ser exatamente imaginada como “Israel espiritual” … (6) Finalmente podemos fazer uma observação separada às nove referências nas quais o termo é aplicado ao resto dos fiéis em Israel que voltaram do exílio da Babilônia (Op. Cit.).

Dana conclui seu estudo sobre eclesia na versão dos Setenta com estas palavras:

Há três fatos sobre o uso de eclesia na versão dos Setenta, e o uso no Velho Testamento de “qahal”, que são importantes para nós num estudo sobre igreja: (1) Nunca é examinado como um fato espiritual, independente de limitações de tempo e espaço. (2) A assembléia (eclesia) de Israel como uma possessão peculiar de Jeová foi planejada como uma concepção ideal, mas tendo só seu complemento literal numa reunião definida de pessoas. (3) A palavra veio, especialmente, no período interbíblico, para denotar uma reunião local para propósitos de adoração. (Op. Cit.).

B. H. Carroll responde às perguntas feitas a ele a respeito de seu estudo neste assunto com as seguintes citações:

“Como a eclesia na versão dos Setenta traduz a palavra hebraica “qahal”, isto não significa “todo Israel, quer reunido ou não?”
Minha réplica é que não vejo como esta pergunta tenha sido formulada em qualquer mente, através de um estudo pessoal e indutivo de todas as passagens da versão dos Setenta, já que em cada exemplo dos 114 citados a palavra significa uma reunião – uma assembléia.

Vocês podem ver por si mesmos, pelo contexto de sua versão em português. O uso da versão dos Setenta é tão solidamente uma só coisa como a falange macedônica (B. H. Carroll, Eclesia – A Igreja). #

Mas outra pergunta é: “Algumas destas passagens da versão dos Setenta não justificam o significado de não reunidos?” Enquanto aceitei idéias Pedobatistas pensava assim, mas nunca mais, desde que examinei o assunto por mim mesmo, não sei agora nem mesmo da existência de tal passagem (Op. Cit.).

Carroll também aponta como uma confirmação de suas conclusões, que na versão Revista, a palavra hebraica é traduzida assembléia ou congregação em cada lugar onde a versão dos Setenta usou a palavra eclesia.

Antes de terminar este capítulo deve ser notado que alguns tem dito que qahal, ás vezes, significa todo povo israelita. Se esta é uma interpretação verdadeira ou não, não podemos dizer, mas podemos afirmar que quando tentam dar este significado amplo a eclesia, porque é usada para traduzir qahal, cometem um erro. Thomas diz a respeito deste assunto:

Foi por isso, inversa e mais ilogicamente deduzido que, já que qahal, ás vezes, significa todo povo israelita e é traduzida por eclesia, portanto eclesia deve sempre assumir esta amplitude de significado. A referência aos Setenta mostrará, contudo, que os tradutores gregos do Velho Testamento em vez de encorajarem tal implicação, a têm cuidadosamente evitado. Pois quando qahal tem o sentido amplo nunca é traduzida por eclesia, mas por outra palavra grega (Jesse B. Thomas, Op. Cit.).

Depois de examinar pessoalmente cada lugar onde eclesia ocorre na versão dos Setenta estou convencido de que a palavra retém o mesmo significado básico que tem no grego clássico, de assembléia, em cada lugar. O uso na maioria dos lugares é muito claro, de que assembléia é o significado da palavra. Em Deuteronômio é usada para se referir ao tempo em que o povo se reuniu diante do Monte Sinai e ouviu os Dez Mandamentos; quando Josué reuniu a nação da terra prometida para ler a lei ao povo israelita; quando Salomão fez a oração de dedicação do templo e o povo estava reunido diante dele, e muitas outras vezes onde o contexto é tão claro que ninguém se atreveria a pensar de modo diferente. Os poucos lugares em que pode ser questionada faz bom sentido de acordo com seu significado comum, tal fato resolvendo o assunto. Um princípio aceito por todos os eruditos é que o significado que mais prevalece de uma palavra deve continuar em cada lugar, enquanto fizer bom sentido. Um significado novo ou raro não pode ser admitido, mesmo que mostre fazer bom sentido num lugar em particular, enquanto o significado predominante couber no contexto.

Nossa conclusão depois de estudar os usos da palavra classicamente e na versão dos Setenta é que todos os exemplos conhecidos da palavra nestas fontes dão voto unânime de que ela significa assembléia. Esta conclusão não é necessária para provar as conclusões no resto desta tese. O único ponto que deve ser enfatizado, e que cremos que todos os eruditos admitem, é que a palavra eclesia no grego clássico e na versão dos Setenta tem o significado de assembléia em todos, ou quase todos, os casos.

Por Edward Hugh Overbey

Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02
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EXPLICAÇÃO DOS SÍMBOLOS
(#) – Título do livro – traduzido
(*) – Acrescentado para esclarecimento
(?) – Exemplo irrelevante. Omitido, pois não pode ser traduzido em português com um significado coerente.
(?) – Nota do editor. Pode referir-se ou ser comparado com a Bíblia Corrigida (João Ferreira de Almeida) à tradução do rei Tiago, e a Autoridade em português à Americana Padrão.

4. Eclesia no NT

INTRODUÇÃO

Ao examinar nosso assunto um pouco mais devemos parar e notar que a versão do rei Tiago em 1611 e a versão Americana Padrão em 1901 são baseadas em textos gregos diferentes. Mesmo que no significado não haja diferença de grande significância, ainda assim, para efeito de clareza no estudo, devemos fazer uma pesquisa rápida de eclesia nas duas versões; as palavras em inglês usadas para traduzir eclesia, e notar as diferenças com respeito a eclesia nestas duas traduções. Na versão do rei Tiago ou Autorizada eclesia aparece 115 vezes no texto grego. Cento e doze vezes é traduzida pela palavra igreja e três vezes pela palavra assembléia em Atos 19. A palavra igreja aparece 114 vezes, 112 das quais representa eclesia. Outras duas ocorrências são em Atos 19:37 e em I Pedro 5:13. Em Atos 19:37 a palavra grega é “hierosulos”, não eclesia, e significa ladrões de templos como traduzida corretamente na versão Americana Padrão. Em I Pedro 5:13 igreja não representa nenhuma palavra grega no original, mas é a interpretação dos tradutores para fazer um sentido melhor. Por esta razão igreja aparece em itálico em muitas Bíblias. O grego é assim, neste caso em que se permite tal interpretação e pode ser a idéia correta do escritor, contudo esta passagem não diz respeito a nós, já que eclesia não está realmente presente no original. A versão Americana Padrão usa a palavra ‘ela’ neste lugar, em vez de igreja, o que também é uma interpretação.

Eclesia aparece 114 vezes no texto grego da versão Americana Padrão. Em Atos 2:47 eclesia não está no grego, mas um pronome a traduziu. A outra única diferença no grego do texto do rei Tiago está em Atos 9:31, onde a palavra está no singular na versão Americana Padrão e no plural na versão do rei Tiago. A palavra igreja aparece 110 vezes, todas as quais são usadas para traduzir eclesia; assembléia é usada para traduzi-la três vezes em que a assembléia grega é mencionada em Atos 19, e congregação é usada uma única vez em Hebreus 2:12. Em nossa tradução (Edição Revista e Corrigida) as passagens em Atos 19 são traduzidas “ajuntamento” – versos 32, 39 e 41.* (Veja a história da tradução de João Ferreira de Almeida). ?

Um exame cuidadoso de eclesia antes do Novo Testamento no grego clássico e na versão dos Setenta revela que a palavra significa assembléia. Ela se refere a pessoas que se organizam para um propósito comum, e que se reúne de vez em quando. Ao chegarmos ao Novo Testamento temos este significado da palavra, e a examinaremos cada vez no Novo Testamento, para ver se este significado prevalece. O estudo, primeiro revela que a palavra é usada em três tipos diferentes de eclesia. Eles são grego, judeu e cristão. O tipo grego é encontrado em Atos 19, onde a palavra é usada três vezes. Era uma assembléia de gregos na cidade de Éfeso, que se reuniu porque a pregação de Paulo tinha prejudicado o comércio dos estatutários. Era o tipo de assembléia que havia na maioria das cidades gregas. A palavra é mencionada três vezes referindo-se a esta assembléia grega nos versículos 32, 39 e 41.

Outro tipo de assembléia é a judaica, a qual é mencionada em Atos 7:38. É uma assembléia de israelitas à qual Moisés se endereçou no deserto. Alguns escritores dizem que Hebreus 2:12 se refere a uma assembléia judaica, mas achamos que se refere a uma assembléia cristã. É uma citação do Salmo 22:22 que é um Salmo Messiânico. Talvez o salmista estivesse falando de uma assembléia em seus dias, mas a referência profética era definidamente a Cristo e uma eclesia do Novo Testamento. Por esta razão vamos tratá-la como pertencendo ao tipo cristão de assembléia. Todas as outras vezes em que eclesia é usada no Novo Testamento se refere a uma eclesia cristã. Examinaremos isto com mais cuidado no resto desta tese. Quando nos referimos a tipos diferentes de eclesia no Novo Testamento, não queremos dizer que o significado básico de eclesia mudou. O significado básico de “assembléia” é o mesmo para cada tipo de eclesia. Estas eclesias são diferentes nos requerimentos para se tornar membro, propósito, etc.

Antes de examinarmos os usos cristãos da palavra, devemos nos lembrar que aqueles que viviam nos tempos do Novo Testamento, no Império Romano, tinham conhecimento do grego e da palavra eclesia. O significado que associariam a ela seria assembléia. Muitos conheciam as assembléias nas diversas cidades gregas, alguns até sendo membros de uma. Alguns teriam conhecimento da versão dos Setenta, e a maneira em que eclesia era usada no Velho Testamento para designar a assembléia de Israel. Este significado comum da palavra séria familiar, e eles prontamente a entenderiam, para denotar uma instituição cristã. Os escritores do Novo Testamento a usam sem qualquer explicação especial, como se fosse bem conhecida de todos. Devemos assumir que o significado comum de assembléia é o que a palavra significa, quando a encontrarmos. Só quando este significado comum não fizer sentido, temos a justificativa de procurar um novo significado. Qualquer outro significado deve se tornar claro pelo contexto.

A maioria dos usos da palavra no Novo Testamento são reconhecidas pelos eruditos como tendo significado comum de assembléia. Podemos cobri-los melhor dividindo-os em classes diferentes. Há uma grande porção de usos no plural da palavra. As trinta e cinco vezes em que aparecem na versão Americana Padrão são como se seguem. Elas são aceitas por todos como tendo o significado comum. Atos 15:41; 16:5; Romanos 16:4,16; I Coríntios 7:17; 11:16; 14:33,34; 16:1,19a; II Coríntios 8:1,18,19,23,24; 11:8,28; 12:13; Gálatas 1:2,22; I Tessalonicenses 2:14; II Tessalonicenses 1:4; Apocalipse 1:4, 11, 20a, 20b; 2:7,11,17,23,29; 3:6,13,22; 22:16. Na versão do rei Tiago Atos 9:31 também está no plural; contudo, tomaremos o texto da versão Americana Padrão e a trataremos como singular.

Vinte e duas vezes a palavra tem o lugar indicado no contexto imediato. Atos 8:1 “que estava em Jerusalém”, Atos 11:22 “que estava em Jerusalém”, Atos 13:1 “que estava em Antioquia”, Atos 15:4 “E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja”, Atos 20:17 “mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja”, Rom. 16:1 “que está em Cencréia”, Rom. 16:5 “que está em sua casa”, I Cor. 1:2 “que está em, Corinto”, I Cor. 16:19b “que está em sua casa”, II Cor. 1:1 “que está em Corinto”, Col. 4:15 “que está em sua casa”, Col. 4:16 “dos laodicenses”, I Tess. 1:1 “dos tessalonicenses”, II Tess. 1:1 “dos tessalonicenses”, Filemon 1:2 “em sua casa”, Apoc. 2:1 “em Éfeso”, Apoc. 2:8 “em Smirna”, Apoc. 2:12 “em, Pérgamo”, Apoc. 2:18 “em Tiatira”, Apoc. 3:1 “em Sardo”, Apoc. 3:7 “em Filadélfia”, Apoc. 3:14 “em Laodicéia”.

Três vezes eclesia é acompanhada pelas palavras ‘cada’ ou ‘nenhuma’. Atos 14:23, I Cor. 4:17, Fil. 4:15. Quatro vezes eclesia está num contexto que menciona reunir. Atos 11:26 “se reuniram naquela igreja”, Atos 14:27 “e reuniram a igreja”, I Cor. 11:18 “quando vos ajuntais na igreja”, I Cor. 14:23 “toda igreja se congregar num lugar”.

Há oito vezes em I Cor. que o contexto imediato e remoto torna claro que a palavra se refere a eclesia do Corinto. I Cor. 6:4; 11:22; 14:4,5,12,19,28,35.

Há sete exemplos da palavra em Atos que se referem à igreja de Jerusalém. Se a versão Americana Padrão for aceita, haverá só seis, pois a palavra não aparece em Atos 2:47 naquele texto. Atos 2:47; 5:11; 8:3; 12 :1,5; 15:22; 18:22. Se alguém ler os primeiros dezoitos capítulos de Atos, cremos que em todos estes exemplos nos quais a palavra é usada, será aceita como significado assembléia, e referindo-se à eclesia de Jerusalém. O contexto é completamente claro que é este o caso. Em Atos 18:22 pode pensar que se refira uma eclesia em Cesaréia, numa leitura casual, mas um estudo cuidadoso revelará, cremos, que está se referindo à eclesia em Jerusalém. Em Atos 1 encontramos 120 discípulos reunidos, para eleger um para ocupar o lugar que Judas deixara vazio com sua morte. Este é o grupo ao qual, mais tarde, se refere como a eclesia em Jerusalém. Estes capítulos em Atos dão a história antiga desta eclesia, contando de seu crescimento, perseguições, decisão, etc. Atos 8:1; 11:22; 15:4 usam a palavra onde o contexto imediato dá o local. Estes podem ser usados para ajudar a provar que as sete passagens mencionadas se referem à igreja em Jerusalém.

Em Atos 15:3 é outro lugar onde a palavra é usada e aceita por todos com o significado de assembléia. Esta é a eclesia em Antioquia. Ler de Atos 14:26 até 15:3 provará isto. III João usa a palavra três vezes nos versículos 6, 9 e 10. Obviamente a palavra tem seu significado comum de assembléia também aqui.

Em Mateus 18:17 eclesia é usada duas vezes, quando o Senhor estabelece o procedimento a tomar, quando um irmão em Cristo age mal com outro. O passo final a tomar, se o irmão no erro não fizer as pazes, é levá-lo diante da eclesia, e se ele não se retratar, então discipliná-lo, excluindo-o da eclesia. Nesta passagem também a palavra significa assembléia, como todos admitirão prontamente.

Há outras três ocorrência da palavra que são também aceitas por todos como tendo o significado comum de assembléia. Tiago 5:14 “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja”; I Tim. 3:5 “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” I Tim. 5:16 “Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja.”

Das 115 vezes a palavra ocorre no texto do rei Tiago temos examinado noventa e duas, e verificamos que todas têm o significado comum, se não único predominante e anterior ao Novo Testamento de assembléia. Geralmente todos os eruditos aceitam estas 92 vezes que a palavra eclesia é usada com o significado de assembléia. ?

Devíamos afirmar aqui que a palavra eclesia se refere a um grupo de pessoas organizadas para desempenhar algum propósito, e que se reúnem de vez em quando. Para ser uma eclesia não é necessário se estar numa assembléia contínua. Carroll afirmou isto muito bem, quando lhe perguntaram:

“Mas se igreja significa assembléia, isto não requer que ela esteja sempre em sessão?” Nenhuma eclesia clássica, judaica ou cristã, conhecida na história, manteve uma sessão perpétua. Todas elas tinham seus adiamentos e se reuniam de acordo com os requerimentos do caso. A organização, a instituição, não era dissolvida pela suspensão temporária. (B. H. Carroll, Op. Cit.).

As passagens que temos estudado no Novo Testamento mostram-nos assim que o significado básico da palavra é o mesmo que encontramos no grego clássico e no da versão dos Setenta. Carroll diz:

Não há nada na diferença entre a eclesia de Cristo de um lado, e a eclesia clássica dos Setenta do outro, que justifique um sentido novo para a palavra. A diferença não está no significado da palavra, mas no objeto, termo ao se tornar membro e outras coisas. (Op. Cit.)

A eclesia cristã era composta de crentes batizados, que se reuniam com o propósito de ganhar pessoas para Cristo, batizando-as e ensinando-lhes a Bíblia. Eles observavam duas ordenações: o batismo e a Ceia do Senhor. Seus oficiais eram os pastores e diáconos. O governo era democrático. As passagens estudadas até aqui sustentarão isto. Apesar de haver muitas outras eclesias cristãs por todo império romano, havia só um tipo. Todas tinham o mesmo padrão em relação a fazer membros, propósito, ordenanças, oficiais, etc., até aqui indicados. Para resumir o estudo no Novo Testamento a este ponto, vamos ver o que a palavra significa em cada caso e que há só um tipo de assembléia cristã visita nas oitenta e oito vezes em que observamos a palavra.

Por Edward Hugh Overbey

Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02
Revisão e editoração: Calvin, David and Daniel Gardner 03-03

Fonte: http://www.obreiroaprovado.com

EXPLICAÇÃO DOS SÍMBOLOS
(#) – Título do livro – traduzido
(*) – Acrescentado para esclarecimento
(?) – Exemplo irrelevante. Omitido, pois não pode ser traduzido em português com um significado coerente.
(?) – Nota do editor. Pode referir-se ou ser comparado com a Bíblia Corrigida (João Ferreira de Almeida) à tradução do rei Tiago, e a Autoridade em português à Americana Padrão.

5. Eclesia nas Passagens Difíceis do NT

Apesar de haver praticamente um acordo unânime entre os eruditos nos usos da palavra que temos estudado até aqui, a opinião deixa de ser unânime nas vinte e três vezes restantes. Muitos crêem que a palavra recebe um novo significado. Muitos crêem que outra eclesia cristã é mencionada, diferente em tipo da que estudamos até este ponto. Como podemos determinar qual e significado correto para estas vinte e três ocorrências restantes da palavra? Cremos que o único princípio ao qual podemos recorrer, que tem o apoio dos eruditos, e que deve satisfazer nossas mentes é o que se segue. O significado comum de uma palavra deve permanecer em cada lugar em que ocorra, tantas vezes quantas fizer sentido. Quando não fizer sentido então um novo ou raro significado deve ser encontrado no contexto para a palavra. Se um novo ou raro significado fizer sentido no contexto dado não podemos aceitá-lo, enquanto o significado comum também o fizer. De outro modo todas as línguas ficarão incertas e confusas. Se na frase: João comeu uma maçã – dissermos que maçã tem um novo significado de cebola, porque faz sentido neste contexto, tornamos a linguagem sem sentido. Enquanto o significado comum fizer sentido ele deve ser reconhecido.

Este princípio é tão auto-evidente que não cremos ser necessário fazer mais do que afirmá-lo, mas para não haver mal-entendido citaremos vários eruditos, para mostrar que este método é reconhecido e usado para encontrar o significado das palavras. Berkhof desenvolve este princípio ao dizer:

É um procedimento arbitrário traduzir ‘ki’ em Isaías 5:10 “E” ou “Sim”, vendo que a conjunção é agora conhecida como tendo um significado explicativo, e o sentido comum é perfeitamente apropriado (L. Berkhof, Teologia Sistemática, 4º Edição).

Terry diz:

A passagem em I Cor. 14:34,35, tem sido deturpada, para significar algo mais que a proibição das mulheres falando nas assembléia públicas das igrejas … Outros têm buscado na palavra lalein um sentido um sentido peculiar, e, descobrindo que ela tem nos eruditos grego – clássicos o significado de cochichar, ensinam de um estranho que Paulo quer dizer: ‘As mulheres estejam caladas na igreja porque lhes não é permitido cochichar … porque é indecente que as mulheres cochichem na igreja!’ Um exame ligeiro mostra que neste mesmo capítulo a palavra lalein – falar – ocorre mais do que vinte vezes, e em nenhum exemplo há qualquer necessidade ou razão de entendê-la em outro sentido que não seja o normal de discursar, falar (Milton S. Terry, Hermenêutica Bíblica). #

Broadus comentando sobre a palavra geração diz:

A palavra não pode ter outro significado aqui do que o óbvio. A tentativa de estabelecer para ela o sentido de raça ou nação falhou. Há alguns exemplos nos quais pode ter tal significado, mas nenhum dos quais é imperativo, pois em cada caso o significado reconhecido responderá, e assim outro sentido não é admissível (John A. Broadus, Op. Cit.).

Warfield escrevendo sobre a palavra teopneustus diz:

Tudo pode ser dito nesta causa pela nova interpretação, portanto, é que ela também pode vir a concordar com o contexto; e tanto mais, e muito mais, pode ser dito para o velho. Deixamos o assunto nesta forma, já que obviamente uma interpretação detalhada da passagem inteira não pode ser introduzida aqui, mas deve ser reservada para uma ocasião posterior. É suficiente dizer agora que obviamente nenhuma vantagem pode ser declarada para a nova interpretação deste ponto de vista. A pergunta é, afinal de contas, não o que se quer que a palavra signifique, mas o que ela significa; e o testemunho de seu uso seja onde for, sua forma e modo de composição, e o sentido dado a ela pelos seus leitores no início, suprem aqui a evidência primária. Só se o sentido assim recomendado a nós for inútil ao contexto se justificará a procura de uma nova interpretação – assim exigida pelo contexto. Isto não pode, de jeito nenhum, ser declarado no presente exemplo, e nada pode ser declarada por nós, além de mostrarmos que o sentido mais natural e corrente da palavra está de acordo com o contexto (B. B. Warfield, A Inspiração e Autoridade da Bíblia). #

Carson também usa este princípio para provar seu ponto de vista ao afirmar:

Se de outras passagens sabemos que ela tem seu significado, esta passagem não pode ensinar o contrário, se a coisa for possível. Sobre o princípio da interpretação aqui reconhecido pelo Sr. Ewing e pelo Dr. Wardlaw, podemos rejeitar tudo na história que não caiba em nossas próprias concepções; ou explicá-las cortando o significado das palavras … Se imersão é o significado da palavra, não é optativo recebê-lo ou rejeitá-lo. Quer este seja ou não seu significado, deve ser aprendido de sua história, não da probabilidade ou improbabilidade abstratas da imersão de camas. Se a história da palavra declara que seu significado é imersão, a mera dificuldade de imergir camas, de conformidade a uma tradição religiosa, não pode implicar que ela tenha outro significado aqui … Reduzirei minhas observações neste ponto á forma de um cânon. Quando uma coisa for provada por evidência suficiente, nenhuma objeção de dificuldade pode ser admitida como decisiva, exceto se envolver uma impossibilidade (A. Carson, Baptism its Mode and its Subjects, página 72).

Este princípio será o único que determinará se a palavra tem um novo significado ou mantém o comum no restante das Escrituras.

Antes de continuarmos com qualquer destas passagens também devemos considerar outro princípio importante. Uma palavra pode ser usada de um modo geral. Em tais casos ela pode estar no singular e ainda não se referir a nenhum objeto particular da classe, mas a todos os objetos daquela classe. É como se um objeto da classe fosse feito representante de cada objeto da classe, e o que for dito deste representante será aplicado de um modo geral a cada objeto. Com exemplo podemos dizer: ‘O automóvel é a maior invenção deste século’. O significado da palavra automóvel é o mesmo comumente pensado, embora a palavra não se refere a nenhum automóvel em particular, mas o que é dito se aplica a cada um. Em tais casos o artigo definido com a palavra não significa que há só um automóvel em particular separado do resto ou que há somente um automóvel no mundo, mas o artigo é chamado de genérico e distingue uma classe da outra, em vez de um objeto numa classe de outro objeto na mesma classe. Usamos palavras no sentido geral todo tempo e nunca pensamos nelas.

‘O’ com um substantivo singular às vezes indica uma classe ou tipo de objetivo. ?

“O elefante é o maior dos quadrúpedes. O avião é uma invenção muito recente. A resina é obtida do pinheiro.” Note: neste uso ‘O’ é geralmente chamado o artigo genérico (do latim genus, “tipo” ou “sorte”). O número singular com o genérico ‘o’ eqüivale praticamente ao plural sem um artigo. ? (G. E. Kittredge e F. E. Farley, Uma Gram?tica Inglesa Avan?ada.). #

Isto não é só verdade no inglês, mas também no português e no grego.

984. O artigo pode ter uma força genérica, marcando um objeto como o representante de uma classe. Ex.: ho anthropos homem (em geral); hoi anthropoi raça humana (oposto aos deuses inferiores); hoi gerentes velho (como uma classe). (W. W. Goodwin e C. B. Gulik, Gramática Grega.) #

763. Artigo Genérico – O artigo genérico denota uma classe inteira, distinta de outras classes; como ho antropos – homem (distinto de outros seres); hoi gerentes – o velho; poneron he su?ophantes – o delator ? uma coisa vil. (H. W. Smyth, Gram?tica Grega para Escolas e Universidades). #

É muito comum se encontrar o singular usado com o artigo num sentido representativo para toda a classe. Assim em ho huies tou an thropou (Mt. 8:20, e freqüentemente) Jesus chama a Si mesmo o Filho do homem. Em Lc. 10:7, ho ergates, onde o trabalhador representa todos os trabalhadores (A. T. Robertson, Gramática do Grego do Novo Testamento à luz da Pesquisa Histórica.) #

Cremos que a palavra eclesia é usada genericamente muitas vezes nas passagens restantes, e porque muitos eruditos não reconhecem isto, um significado novo tem sido atribuído à palavra erroneamente.

Das passagens discutidas gostaríamos de tomar as quatro primeiras que tratam da perseguição de Paulo à igreja. Alguns crêem que a palavra não significa assembléia nestas passagens, mas sim discípulos. Outros a chamam igreja invisível, o que significa que contém todos os crentes quer organizados ou não, os quais se reúnem em assembléia. As quatro passagens são as seguintes: I Cor. 15:9 “pois que persegui a igreja de Deus”; Gál. 1:13 “como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava”; Fil. 3:6 “segundo o zelo perseguidor da igreja”; Atos 9:31 “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se”. As primeiras três passagens são da versão do rei Tiago e a última, da versão Americana Padrão. Atos 9:31 no texto do rei Tiago tem eclesia no plural, leitura que, se correta, séria aceita por todos com o significado de assembléia. Se o singular é o certo, então há uma questão nas mentes de alguns deles, quanto ao seu significado.

Se alguém começar a lei em Atos 8:1 e continuar lendo até Atos 9:31, verá que o significado não será difícil de entender. Resumindo, esta parte da Escritura diz que Paulo estava perseguindo a eclesia em Jerusalém. Como resultado das perseguições de Paulo e de outros, esta eclesia se espalhou pela Judéia e Samaria, Atos 8:1,3. O restante do capítulo 8 conta o trabalho de Filipe em Samaria e seu testemunho ao eunuco etíope. O capítulo 9 aparece-nos com o assunto de Saulo e sua perseguição. Ele ainda tem raiva e deseja continuar seu trabalho diabólico em Damasco. Conseguindo a autoridade necessária que desejava, sai para Damasco, mas é salvo antes de chegar à cidade. Os versículos seguintes contam rapidamente sua viagem de volta à Jerusalém; e depois a Tarso. Após completar a história da conversão deste astuto perseguidor, Saulo, lemos: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se …” Esta era a igreja em Jerusalém que estava espalhada, Atos 8:1, a única igreja que a Escritura nos diz que ele perseguiu. Quando Saulo foi salvo esta igreja espalhada teve paz. As outras três passagens em Gálatas, Filipenses e I Coríntios referem-se à esta parte da vida de Paulo. Podia ser que Paulo estivesse pensando mais em sua perseguição à instituição, do que à eclesia em particular em Jerusalém, mas mesmo assim ele só perseguiu a igreja de Jerusalém, como a Bíblia mostra e a palavra tem um bom sentido quando traduzida assembléia. Assim não temos o direito de pensar que ela tenha um novo significado. Carroll respondeu bem ao ser interrogado:

‘Mas quando Paulo diz ‘eu persegui a igreja’, é claro que só pode significar que ele perseguiu os discípulos?’

Porém significa muito mais. Significa exatamente o que diz. Os meros indivíduos não significavam nada para Paulo. Era a organização ao qual pertenciam, e o que ela defendia. Como prova disto nosso Senhor chamou a atenção dele com uma pergunta: “porque me persegues? Eu sou Jesus, a quem tu persegues.” Jesus não estava sendo perseguido pessoalmente por Saulo.

Assim quando ‘Erodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja’ – ele tinha em objetivo a organização, o que ela defendia, apesar de sua ira cair diretamente só sobre Tiago e Pedro (B. H. Carroll, Op. Cit.).

Hort reconhece o fato que estes usos da palavra se referem à igreja de Jerusalém ao dizer:

A eclesia original de Jerusalém ou Judéia, num tempo quando não havia outra:

Gál. 1:13; I Cor. 15:9; Fil. 3:6; a ocasião da referência em todos os três casos sendo a própria ação de Paulo como perseguidor (F. J. A. Hort, Op. Cit.).
Ao concluir nosso estudo nestas passagens, gostaria de citar as palavras de Thomas.

É um fato curioso não haver prova de que a ‘perseguição’ feita por Paulo fosse além da igreja de Jerusalém. Em Atos 8:3 lemos que ele “assolava a igreja” de lá. Ananias quando chamado para visitar Paulo, replicou ao Senhor: “Senhor, a muito ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém” (Atos 9:13). Quando Paulo começou a pregar, o povo disse: “Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome?” Na própria defesa de Paulo perante Agripa ele enfatizou suas crueldades aos ‘santos’ em Jerusalém, encerrando-os nas prisões e obrigando-os a blasfemar. É verdade que ele acrescenta que ‘enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades entranhas os persegui’. Mas a palavra que ele usa (dioko) implica que os objetos de sua vingança ainda eram os santos em Jerusalém, a quem perseguia. Assim é que sua ‘perseguição à Igreja de Deus’ parece ter sido limitada aos componentes de uma única igreja (Jesse B. Thomas, Op. Cit.)

Romanos 16:23 tem sido declarado por alguns como se referindo a todos os crentes, por causa da palavra ‘toda’. Não há necessidade real para tal interpretação; o significado comum faz bom sentido. Provavelmente está se referindo á uma eclesia que se reúne na casa de Gaio, que é o anfitrião tanto de Paulo como desta eclesia. Toda esta eclesia, que pode até ser pequena, saúda os santos em Roma. Atos 15:22 fala de toda eclesia, onde ninguém pode duvidar que ela signifique a totalidade da eclesia de Jerusalém, e o mesmo tipo de linguagem é usada sobre a eclesia de Corinto em I Cor. 14:23.
I Cor. 10:32 “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem a Igreja de Deus”. Esta passagem também é discutida por alguns, mas o significado comum faz bom sentido, e assim um novo significado não é necessário. Thomas respondeu bem aos que queriam introduzir um novo significado aqui.

A ‘Igreja de Deus’ como é discutida, deve significar aqui a igreja universal, já que, “judeus” e “gregos”, cobre um grupo mundial. Mas o escândalo dado deve ter sido a judeus ou gregos individualmente, já que não podiam, como uma raça, ser assim perturbados pela conduta individual. Porque, então, ela precisa significar mais do que ‘não deis escândalo a nenhuma igreja, nem a nenhum membro da igreja?’ O fato é que a exortação completa, como um estudo de contexto tornará claro, é dirigida ao regulamento da conduta pessoal diante de classes diferentes da comunidade presente. (Op. Cit.).

Hebreus 2:12 “Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação”. Assembléia faz bom sentido aqui; a pergunta é: a qual eclesia está se referindo? Cremos que a Jesus e Sua Igreja, e se refere ao tempo em que Ele instituiu a Santa Ceia. Mateus 26:30 “E, tendo cantado o hino, saíram para a monte das Oliveiras”. Alguns acham que é muito cedo para uma igreja, mas por que? Jesus já tinha declarado que construiria Sua eclesia (Mat. 16:18). Já dera o procedimento para a disciplina, o que se presume a existência de uma eclesia (Mat. 18:17). Os membros eram crentes batizados; tinham o Evangelho, o qual pregavam e batizavam os convertidos. Os elementos essenciais de uma igreja do Novo Testamento são vistos nos Evangelhos. Em Atos 1 os discípulos já pareciam ser organizados, quando se reuniram para decidir quem substituiria Judas em seu ofício. A única resposta que parece consistente com a informação do Novo Testamento é que Jesus cantou na eclesia iniciada durante o seu ministério terrestre, quando deu a ela a segunda ordenança.

I Timóteo 3:15 é considerado por alguns como se referindo à igreja universal invisível. Se notarmos o contexto começando no início do livro, veremos que este versículo se refere à igreja em Éfeso e aos problemas que Timóteo encontrou lá. Os pastores e diáconos, os oficiais de uma igreja local, são o assunto do capítulo três. O restante do livro indica que a única igreja em mente é uma igreja local, particularmente a de Éfeso. Outro fato que devia ser notado é que ‘casa’ e ‘igreja’ neste versículo é anarthrous, e deve ser lido uma casa e uma igreja, cujo fato apoia fortemente a idéia de que eclesia mantém seu comum, senão único, significado neste contexto. A única objeção possível à uma igreja local aqui é a palavra ‘casa’, que pode ser entendida num sentido mais amplo e melhor traduzido por família. Fazer assim mudaria o significado da palavra eclesia, quando não é necessário. A palavra ‘casa’ pode ser compreendida num sentido que preenche o significado comum da palavra. O significado comum deve permanecer sempre, a não ser que seja impossível. Dana interpreta esta passagem muito bem ao escrever:

A figura da ‘casa de Deus’ pode ser vista de duas maneiras. Pode ser considerada do ponto de vista como constituinte, ou do ponto de vista de sua função. A anterior ia requerer que ela se aplicasse a todos os filhos de Deus; a última a qualquer grupo dos filhos de Deus. A função de uma casa é oferecer sustento e comunhão a seus habitantes. Qualquer eclesia local faz isto por seus membros. Nisso, a igreja local, em Éfeso, como uma agência de Deus, oferecia cuidado e comunhão a todos os discípulos em Éfeso e pode ser justamente descrita como ‘a casa de Deus’. Este significado da figura é óbvio e não é forçado, e evita todas as dificuldades no modo do outro, e portanto deve ser aceito como a explicação correta. A ‘eclesia do Deus vivo’ à qual Paulo se refere neste versículo é a igreja de Éfeso. (H. E. Dana, Op. Cit.).

Atos 20:28 é outra passagem que alguns pensam ensinar um significado diferente para eclesia. A razão para encontrar um novo significado aqui deve-se ao fato de se dizer desta igreja “que ele resgatou com seu próprio sangue”, uma afirmação que muitos pensam ser grande demais, para ser dita de qualquer igreja local. Não cremos que esta seja uma boa objeção. Paulo falando sobre si mesmo em Gálatas 2:30b diz: “e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Por que não se pode dizer que Jesus resgatou com Seu sangue um grupo organizado de crentes professos no Senhor Jesus Cristo? Isto não exclui outras igrejas de crentes ou indivíduos de fazerem a mesma afirmação. Paulo afirma a mesma idéia referindo-se a si mesmo. Se fosse objetado que alguns são só crentes professos e não verdadeiramente comprados por Seu sangue concordaríamos, mas esta não é a objeção à palavra igreja tendo seu significado comum. As Escrituras se referem aos crentes professos como santos, irmãos, filhos de Deus e outros termos que só se aplicam verdadeiramente aqueles que nasceram de novo. E ainda as Escrituras notam que alguns crentes professos são falsos mestres e em tais casos estão tão perdidos quanto os que rejeitam a Cristo. A Bíblia avisa a tais, mas ainda fala de acordo com a aparência. Se uma pessoa professa ser crente e não há nada que faça alguém pensar de outro modo, todos se referem a ele pelos termos maravilhosos que só pertencem realmente ao verdadeiro Filho de Deus. Em, I Tess. 1:1 lemos: “à igreja dos tessalonicenses em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo”. Tais afirmações podiam ser ditas a não ser aos salvos? Não achamos ainda que Paulo escreva por inspiração que esta igreja em Tessalônica está em Deus, o Pai e no Senhor Jesus Cristo. É um grupo de crentes professos com talvez alguns dentre eles que são falsos mestres, ainda reconhecidos como salvos e recebendo estes termos. “Resgatado pelo seu próprio sangue” pode ser afirmado sobre cada igreja do Novo Testamento e cada crente individualmente. Esta afirmação não é objeção à igreja em Atos 20:28 como sendo local. O contexto torna claro que está se referindo à igreja em Éfeso. Notem os versículos 17 e 28 em particular, e examinem os termos: Éfeso, anciãos da igreja, rebanho e vigilantes, vendo se qualquer igreja que não a de Éfeso pode ser mencionada aqui. Crê-se que I Cor. 12:28 apoia uma igreja universal, por alguns eruditos bíblicos. O argumento, como é declarado geralmente, é que os apóstolos não eram oficiais de uma igreja local, mas o ministério deles era para todas as igrejas. Assim a palavra igreja, não pode se referir a um grupo local, mas deve se referir a algo muito maior, uma igreja universal que incluiria todos os crentes. A idéia de que esta passagem se refere aos oficiais desta igreja é completamente sem base. O contexto indica que estas várias coisas estabelecidas na igreja são melhores descritas como dons. Estes dons eram necessários para o serviço na igreja do Senhor. Alguns eram só necessários por pouco tempo, outros para a história completa da igreja. Nos dias primitivos as igrejas precisavam de certos dons que não precisam hoje. Precisavam-se de apóstolos para estabelecê-las e dar a elas a direção inicial, o que não era necessário depois. O padrão era completado no tempo deles sob a direção do Espírito Santo, como vemos em Atos e nas Epístolas. Eles trabalhavam com igrejas locais, como vemos claramente nestes livros. Os profetas eram necessários para inspirar mensagens, antes que o Novo Testamento fosse completado. Línguas, curas, milagres eram necessários naqueles dias antigos, para autorizar a igreja como uma instituição divina e a mensagem que pregava. Os dons de ensinar, ajudar e governar ainda estão nas igrejas hoje, e pela natureza de seu serviço serão necessário até que o Senhor volte. Cremos que a palavra igreja é usada genericamente nesta passagem e as Escrituras nos dizem dos dons que o Senhor colocou naquela instituição, para que o serviço pudesse ser executado corretamente. Estes dons beneficiariam todas as igrejas do Novo Testamento daquele tempo e de hoje, apesar dos apóstolos, profetas, milagres, etc. não estarem presentes em cada igreja em particular. Estes dons foram colocados naquele tipo de instituição e não em cada igreja em particular para o benefício de todos. O padrão, a mensagem e o crédito trazidos por estes dons são nossos agora, apesar dos dons que os produziram terem passado. O capítulo inteiro (I Cor. 12) fala claramente de uma igreja local como um corpo. Este capítulo será discutido depois neste livro. Já que todo o capítulo é definitivamente sobre uma igreja local, parecia estranho e até mesmo foras de lugar inserir 12:28 como se falando sobre um tipo diferente de igreja, um tipo universal e invisível. O significado comum faz bom sentido, se interpretado como um uso genérico da palavra, por isso não precisamos recorrer a um novo significado.

Chegamos agora aos livros de Efésios e Colossenses. Confia-se que estes livros sejam principalmente para estabelecer um novo significado para a palavra, pelos crentes da teoria da igreja universal e invisível. Efésios usa a palavra nove vezes e Colossenses duas, as quais podiam ser usadas para apoiar esta teoria. As duas vezes em Colossenses são muito parecidas com as passagens em Efésios. Se a teoria da igreja invisível e universal não puder ser provada em Efésios, não poderá ser provada em Colossenses, nem em outro qualquer livro da Bíblia. Os defensores desta teoria confiam muito neste livro, e, por isto, ela deve permanecer ou cair. Neste livro gostaríamos de considerar primeiro Efésios 1:22, Colossenses 1:18 e 24 ao mesmo tempo.

O argumento para esta teoria nestas passagens é que a igreja é referida como Seu corpo e Jesus é o cabeça do Seu corpo. Corpo e igreja nestas passagens estão no singular. As igrejas locais são muitas, por isso não podem ser a igreja falada aqui. Cristo teve só um corpo físico e assim Ele só tem um corpo místico, a Igreja. I Cor. 12 é também tomado juntamente com esta passagem onde a igreja como um corpo é muito discutida. Estes argumentos para a teoria da igreja invisível é inteiramente plausível à primeira vista, mas sob um exame mais minucioso são vistos sem qualquer força real. Primeiro: Cristo é o Cabeça de cada igreja no sentido de que Ele reina sobre aquela igreja e é a sua Autoridade final. Cristo é o Cabeça de cada homem, isto é; Ele é a autoridade ou rei de cada homem (I Cor. 11:3).

Vemos nos três primeiros capítulos de Apocalipse, o Senhor Jesus Cristo no meio de sete castiçais. Os sete castiçais são interpretados como sete igrejas em particular. Jesus no meio revela claramente que Ele é o rei, autoridade e cabeça delas. Ele elogia, repreende, exorta, avisa, dirige, como só um cabeça pode fazer. Jesus é claramente revelado o cabeça delas aqui. Ele é o cabeça de cada uma destas igrejas locais, sem nenhum problema envolvido. Nesta conexão devíamos notar também que a igreja como um corpo é discutida mais completamente em I Cor. 12 e nesta passagem a cabeça, o olho e o ouvido são representados como vários membros de uma igreja no Novo Testamento. A cabeça sobre o corpo é Cristo. Ele o dirige; Ele é sua autoridade final. Mas cada parte do corpo, inclusive a cabeça, é igual a certos membros de uma igreja. O marido é o cabeça da esposa no mesmo sentido. Ela tem uma cabeça sobre os ombros, mas mesmo assim o marido é o cabeça ou autoridade dela. I Cor. 12:12 afirma que o corpo humano é um e tem muitos membros, e isto também é verdade sobre o corpo do Senhor, a igreja. O texto diz realmente “assim é Cristo também” mas o contexto torna muito claro que “Cristo” se refere a Seu corpo, a igreja.

Cremos que o escritor está usando “Cristo” como metonímia. O fato que se diz que o corpo é um, é usado como argumento que o corpo aqui se refere a algo diferente de uma igreja local, porque há somente uma desta igreja. Esta é a igreja universal e invisível que é referida aqui como um corpo, de acordo com aqueles que defendem esta teoria. Esta interpretação é muito superficial. É evidente que o corpo falado no versículo 12 é um corpo humano, e que ele tem duas características que são iguais às da igreja do Senhor. O corpo humano é um e tem muitos membros. Estas características são vistas muito claramente ao examinarmos qualquer corpo humano. É uma unidade; é indivisível; mas ainda é composto de partes muito diferentes, cada uma com uma função particular. Isto também é verdade em uma igreja do Novo Testamento. Os membros são reunidos como um corpo, tendo certas coisas em comum. Um Senhor, uma fé, um batismo, um propósito, uma Bíblia, etc. São algumas destas coisas que fazem da igreja uma unidade, mas ainda cada membro é diferente. Deus tem dado vários dons a cada um. Um pode ser um bom professor; outro um dirigente da música; outros podem visitar; outro é muito habilidoso em relação a negócios, etc.; todos sendo necessários para o trabalho de uma igreja. Os corintos precisavam desta mensagem; eles estavam divididos e precisavam saber que os vários dons eram todos importantes e cooperavam em harmonia na igreja deles. No versículo 27 esta lição é aplicada diretamente à igreja em Coríntios. O artigo definido antes de corpo não está no grego e então séria melhor traduzido assim: “Ora vós sois um corpo de Cristo, e seus membros em particular”.

Cremos que I Cor. 12:13 se refere à água do batismo, que o Espírito Santo nos leva a receber. Este batismo nos admite como membros de uma igreja do Novo Testamento. Quando lemos esta passagem notamos certas situações que cabem perfeitamente numa igreja local, mas que são inteiramente contrárias à teoria da igreja universal e invisível. Duas destas são vistas no versículo 26. Se numa igreja local um membro sofre por causa da perda de seu filho, os outros membros sofrerão também. Mas isto poderia ser verdade se estivesse se referindo à uma igreja universal? Não! Os crentes na África, na China e na América do Norte não podem sofrer com um crente em nosso país. Eles não tem jeito de saber sobre a perda de um modo regular. O mesmo é verdade se um dos membros é honrado.

Hort é útil nesta passagem e na de Romanos 12 ao dizer:

Ele aponta que num corpo o inteiro é dependente da diversidade do ofício dos vários membros, e que cada membro é dependente do ofício de outros membros. Então ela acrescenta: “Mas vós sois o corpo de Cristo (soma Christou), e membros em particular…” Evidentemente aqui é a própria comunidade coríntia que é chamada “corpo de Cristo”. Isto depende não só da ausência de um artigo, mas de “húmeis”, que não pode significar “todos vós, os crentes”.

Em Romanos 12:3-5 tudo é mais breve, mas as idéias são essencialmente as mesmas. O versículo central é: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros tem a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros”. Aqui a linguagem usada não é aplicada formalmente à comunidade romana em particular; mas o contexto mostra que São Paulo ainda está pensando nas comunidades locais, e nos princípios que devem reger os membros da comunidade romana, como todas as outras. ( F. J. A. Hort, Op. Cit.).

Efésios 1:23 fala da igreja como “Seu corpo”, que significa que pertence a Ele. Ele a comprou; Ele a dirige e é servido por ela. Cremos que esta passagem e outras semelhantes que se referem à igreja como um corpo e a Cristo como seu cabeça, refere-se à igreja local e não à uma igreja universal e invisível. O significado comum faz bom sentido, por isso deve ser mantido. O fato das palavras igreja e corpo serem singular e terem o artigo definido não são prova contra estas passagens que se referem à igreja local. O uso genérico da palavra e o artigo definido é o que temos nestes lugares.

Efésios 3:10 e 21 também se referem à igreja local. A palavra nos dois lugares está no singular e tem o artigo definido. Isto fará bom sentido de acordo com o significado comum da palavra, interpretando-a nestes lugares como usadas genericamente. A sabedoria multiforme de Deus é dada a conhecer a toda criação de Deus pela mensagem que cada igreja do Novo Testamento prega e pelo plano desta organização, que é dado por Deus. Sua sabedoria é vista particularmente nesta passagem pelo fato de judeus e gregos poderem ser membros da mesma igreja, trabalhando juntos para Ele. Deus é e será glorificado por uma igreja do Novo Testamento, através do tempo e da eternidade por sua pregação de Jesus Cristo como o plano de Deus para a salvação, e por aqueles que são convertidos e edificados como resultado de suas mensagem. Deus planejou e deu a salvação em Cristo, e isto traz glória a Ele eternamente, e àqueles que são salvos para sempre. O trabalho de uma igreja do Novo Testamento traz glória a Deus para sempre. Referindo-se a Efésios 3:10, Dayton diz:

A idéia na primeira destas duas passagens é que, os anjos de Deus, que são chamados em outro lugar principalidades e poderes, podem olhar a este plano maravilhoso de Jesus Cristo para a execução de Suas leis e para a promoção do conforto e piedade do Seu povo, e virem nela evidências da sabedoria de Deus. Foi um plano divino, caracterizado pela sabedoria infinita. Nada mais podia ser possivelmente ter feito tanto bem. Os homens não creram nisto. Eles tem mexido com o plano de Deus todo o tempo, tentando consertá-lo. Os homens o deixam de lado, substituindo outros em seu lugar; mas para os anjos ele parece a própria perfeição da sabedoria. E foi incluída no plano de Deus no estabelecimento da sua igreja para que Sua sabedoria pudesse, através da igreja, ser conhecida aqueles poderes e principados celestiais. Mas agora, qual foi este plano? Qual era esta igreja? Era, como já vimos, uma assembléia local, na qual cada membro era igual ao outro, e por quem, no nome de Cristo e por Sua autoridade, Suas ordenanças deviam ser ministradas e Suas leis firmadas. O que há nestes textos que requeiram uma grande coleção de todas as igrejas em uma, a fim de tornar a linguagem apropriada? Suponham que um amigo na Inglaterra me escrevesse que está para publicar uma nova história sobre as máquinas a vapor, “para que aos reis e príncipes, em seus palácios e tronos, pudesse se tornar conhecida através da máquina, a inteligência multiforme do inventor.” O que vocês pensariam do senso comum daquele homem, mesmo que fosse um Doutor em mecânica, o qual insistisse que apesar da máquina a vapor ser definida e bem conhecida, havendo uma vasta multidão de máquinas a vapor distintas e separadas, ainda houvesse, de uma maneira ou de outra, um vasto aglomerado de uma máquina “universal”, consistindo de todas as máquinas a vapor do mundo reunidas em uma; ou que a linguagem do meu amigo, quando fala de “mostrar a inteligência multiforme do inventor através da máquina” é também incompreensível? Mas é assim que os doutores da divindade relacionam sobre uma expressão semelhante de Paulo (A. C. Dayton, Theodosia Ernest, Vol. II).

No quinto capítulo de Efésios eclesia é usada seis vezes nos versículos 23, 24, 27 e 32. Esta passagem é considerada por muitos defensores da teoria da igreja universal e invisível como uma das passagens mais fortes para o estabelecimento do ponto de vista deles. Dizem que “Cristo é o cabeça da igreja” é uma afirmação que se refere à igreja invisível. A palavra igreja é usada genericamente aqui e afirma uma verdade que se aplica a cada igreja. A primeira parte deste versículo, 23, usa das palavras genericamente e o fato nunca é questionado. “O marido” e “a mulher” referem-se ao que é comumente significado por estes termos. O fato de serem ambos singular e precedidos de artigos definidos não é considerado por ninguém para provar que há um novo significado em mente aqui. O que se diz aqui se refere a cada marido e a cada mulher. O significado comum tem bom sentido e um novo significado não é necessário. Dizer que há um novo significado para cada uma destas palavras, por causa do singular e do artigo definido, pareceria ilógico e extremamente fora do normal a cada mente. E ainda este tipo de prova é mantido como verdadeiro, com grande segurança, por defensores da teoria da igreja universal invisível. Outras supostas provas para um novo significado de eclesia aqui são que a igreja é dita como um corpo e que Cristo deu-Se a Si mesmo pela igreja. Estes dois argumentos já foram considerados antes nesta tese e reconhecidos como sem valor. As duas afirmações podem se referir a cada igreja, fazendo perfeitamente um bom sentido.

É útil notar que esta passagem não está ensinando primeiramente sobre a igreja, mas sobre a relação entre maridos e mulheres. A relação entre Cristo e a igreja é usada para ensinar qual deve ser a relação entre marido e mulher. O apóstolo não está introduzindo um novo ensinamento sobre alguma igreja universal invisível. Ele toma a igreja, a qual todos conheciam, e ilustra verdades por meio dela, com respeito a maridos e mulheres. O versículo 30 fala de uma igreja sendo o corpo dEle e continua a elaborar falando de “sua carne e de seus ossos”. O autor está falando sobre a igreja de um modo figurado, como um corpo; corpo este que pertence a Cristo e O representa assim, Seu corpo. Um corpo é feito de carne e ossos, e assim outra maneira de designar a figura é elaborar em relação a seus elementos e dizer “de sua carne e de seus ossos”. A verdade só é elaborada um pouco mais, porém é a mesma figura básica que se refere a cada igreja. Esta frase contudo não está nos melhores manuscritos gregos.

O fato da figura se referir ao relacionamento do casamento, e que a igreja em tal figura séria a esposa ou noiva de Cristo é tido por alguns como uma objeção, para dar à palavra igreja seu significado comum. A noiva em Apocalipse é considerada pela maioria como se referindo a todos os santos. A noiva, a qual se refere Apocalipse e Efésios é destinada as significar a mesma coisa. Não podemos dizer que uma figura sempre representa a mesma coisa. Tanto Cristo como satanás são referidos como um leão (Apoc. 5:5; I Pedro 5:8). Não se diz que a noiva em Apocalipse é a igreja, por isso a passagem não precisa ser considerada. É possível que a noiva ali se referia à igreja, mas não há prova definida. Se houver, ainda podia se referir à igreja local como uma instituição. Em II Cor. 11:2, refere-se à igreja de Corinto, sob o sentido de uma noiva. O termo não é usado, mas a idéia está lá.

A figura de uma noiva ilustra bem, verdades que dizem respeito à igreja, quando se dá a ela seu significado comum. Cristo tem a liderança sobre ela e a amou grandemente, o que foi mostrado Sua morte por ela. Cada igreja deve procurar obedecer á palavra de Cristo, como uma boa esposa, reconhecendo Sua autoridade, e deve ser composta de pessoas salvas, às quais Ele amou tanto que morreu por elas. O significado comum faz bom sentido de Efésios a Colossenses, por isso não precisamos procurar outro.

Mateus 16:18 é um dos versículos mais importantes em relação ao nosso assunto. Várias perguntas devem ser estudadas, através de um exame detalhado desta passagem. Quem é pedra? ‘O que significa “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”? Quais são “as chaves do reino”? O que significa “ligar e desligar?” Mas a pergunta que diz respeito a nós é: O que a palavra ‘igreja’ significa aqui? Ela tem um novo significado como muitos dizem e que é de uma igreja universal invisível? A resposta à pergunta “o que a palavra ‘igreja’ significa aqui?”, pode ser encontrada, sem se precisar responder às outras.

Esta é a primeira vez em que o Senhor usa a palavra no Novo Testamento. Antes desta vez único significado que conhecemos para a palavra é assembléia, uma idéia que envolve visibilidade e localidade com relação às pessoas. Se a palavra fizer bom sentido, de acordo com este significado comum e único conhecido para a palavra, ele deve permanecer e a nova idéia proposta, que é caracterizada por idéias opostas, deve ser rejeitada. Um rápido exame mostra que a palavra faz bom sentido aqui, de acordo com seu significado comum. Portanto a idéia da igreja universal invisível deve ser rejeitada. Alguns insistem que Ele diria igrejas se tivesse em mente o significado comum. Se um homem dissesse hoje: “Vou construir meu armazém”, não haveria certamente mal entendido quanto ao que ele quer dizer por armazém. Todo mundo vai pensar numa construção local, visível, onde os alimentos são vendidos. Um novo significado, com certeza, não ia ser considerado por ninguém. Se esta pessoa que disse que ia construir, tivesse em mente uma rede de armazéns, algumas de suas próprias idéias fariam dele um tipo distinto de todos os outros de armazéns do mundo. Mesmo que planejasse ter uma rede deles espalhados pela área, ainda assim sua afirmação faria bom sentido. Se Jesus após considerar os vários tipos de assembléia no mundo decidisse construir a Sua, com Seus próprios requerimentos peculiares para ser membro, ordenanças e propósitos nela, e tivesse em mente que se multiplicaria e séria encontrada em cada comunidade onde houvesse pessoas salvas, porque não poderia dizer: “edifiquei minha assembléia”? É isto exatamente o que Ele tem em mente, como o resto do Novo Testamento o prova. Jesus tinha em mente Seu tipo de assembléia em distinção a outros tipos, quando disse: Minha assembléia. Ele estava usando o termo genericamente.

Em Gênesis quando Deus diz “façamos o homem”, o fato de homem estar no singular não significa que não haveria outros homens, nem que o termo tem um significado diferente do que é ordinariamente associado à palavra homem. Esta afirmação é semelhante à que temos em Mateus 16:18. A igreja falada nesta passagem significa assembléia e é o mesmo tipo de assembléia encontrada por todo o Novo Testamento. Jesus usou eclesia vinte e três vezes no Novo Testamento; três vezes em Mateus e vinte vezes em Apocalipse. Vinte e duas vezes a palavra é admitida por todos como tendo o significado comum. Em Mateus 18 é usada duas vezes em conexão com a disciplina de um membro da igreja, e as vinte vezes em Apocalipse ou estão no plural ou se refere a uma das sete igrejas da Ásia Menor. A primeira vez em que Jesus usa a palavra, Mateus 16:18, é o único lugar em que alguns eruditos tem dúvidas quanto ao significado. O fato de Jesus usar a palavra vinte e duas vezes sem haver nenhuma dúvida de que seu significado é assembléia, deve tornar claro que na outra vez ela significa a mesma coisa, já que faz bom sentido usá-lo. Se a contenda daqueles que defendem um novo significado for correta, teríamos Jesus dizendo que edificaria uma igreja que nunca pereceria e depois não a mencionaria mais; porém em vez disso mencionaria vinte e duas vezes outra igreja que nunca falou em edificar. A igreja que Jesus disse que ia edificar, dada pela natureza da igreja é muito maior entre as duas igrejas, não é mencionada nem mais uma vez, porém a inferior das duas é mencionada muitas vezes e Jesus em Sua última mensagem é visto no meio de sete delas repreendendo, ordenando e exortando-as. Dizer que palavra tem novo significado em uma única passagem põe-na numa posição muito inconstante.

Hebreus 12:23 é a última passagem que vamos discutir. Muitos tem certeza que eclesia aqui significa definitivamente alguma coisa muito diferente do seu significado comum. Eles pensam que é a igreja universal invisível. Outros crêem que a palavra mantém seu significado comum de assembléia, mas não se refere ao tipo de assembléia que o Senhor disse que edificaria e que vimos por todo o Novo Testamento, mas outro tipo da qual haverá uma única, e será no futuro, no céu, quando todos os santos se reúnem lá. Isto não mudaria o significado básico da palavra que vimos, e cujo significado é o mesmo em cada passagem até aqui. Isto traria outro tipo de assembléia cristã. Um tipo que teria seus próprios requerimentos para se tornar membro e propósito. Isto faria quatro tipos de assembléia que a palavra eclesia é usada para representar. Uma – o tipo grego de Atos 19, outra – o tipo judeu de Atos 7:38, outra – o tipo cristão mencionado aqui, e a última um tipo cristão mencionado em todos os outros usos da palavra no Novo Testamento. O requerimento para se tornar membro deste novo tipo de eclesia cristã mencionado aqui é só a salvação e seu propósito provavelmente séria a comunhão e adoração, quando o tempo e lugar proibissem que seu propósito fosse o de ganhar o perdido, batizando e ensinando-o. Cremos que esta opinião também é errada, mesmo aceitando o significado comum de assembléia. Um novo tipo de assembléia cristã deve ter provas nas Escrituras da sua existência. Se o tipo de assembléia cristã vista em cada lugar até aqui faz sentido, devemos aceitá-la com este significado, rejeitando assim um novo tipo. Aqueles que defendem um novo tipo de assembléia cristã que agora está só em perspectiva e que realmente se encontrará no céu depois, algumas vezes tomarão Efésios 5 como prova posterior de tal assembléia. Efésios 5 faz bom sentido no único significado já visto, por isso não vamos discuti-lo aqui.

Diz-se que esta assembléia em perspectiva é definitivamente local e visível, não devendo ser confundida com o ponto de vista comumente referido à teoria da igreja universal e visível. Rejeitando a opinião de que há outro tipo de assembléia cristã mencionada em Hebreus 12:23 não negamos que todos os crentes se reunirão no céu, às vezes, para vários propósitos, mas só negamos que palavra eclesia seja usada para se referir a tal coisa. Procuraremos mostrar através de uma exposição cuidadosa de toda esta passagem que o significado comum de assembléia faz bom sentido e que o único tipo de assembléia cristã visto até aqui faz bom sentido. Esta prova positiva exigirá que rejeitemos as outras duas idéias mencionadas.

Primeiro devemos notar a tradução desta passagem, Hebreus 12:18-24, na versão Padrão Revisada. Esta tradução é superior nesta passagem a todas as outras que já vimos e é muito útil ao que cremos ser um entendimento correto da passagem. (Esta afirmação não deve ser interpretada como uma aprovação de tudo o que está escrito na versão Padrão Revisada pelo autor. Muitas coisas traduzidas nesta versão achamos que são incorretas).

“Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que, quantos os ouviram suplicaram que não se lhes falasse mais, pois já não suportavam o que lhes era ordenado: Até um animal, se tocar o monte, será apedrejado. Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo! Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e à incontáveis hostes de anjos, e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o mediador da Nova Aliança, e ao sangue da aspersão que fala cousas superiores ao que fala o próprio Abel.”

O livro de Hebreus é escrito para alguns professos que se sentem desanimados e tentados a renunciar à sua profissão e voltar à sua religião anterior. O escritor anima-os de várias maneiras. Uma delas é o contraste entre a lei e a graça, mostrando as características de cada uma. As características terríveis da lei, pela qual não somos salvos, quando comparadas às características maravilhosas da graça, pela qual somos salvos, servirão para encorajá-los. A lei como um meio da salvação é apresentada centralizando-a ao redor do monte Sinai onde a lei foi dada a Israel. Cada característica apontada devia animar o crente fazendo-o notar que ele escapou delas sendo salvo pela Graça. Cada característica da graça é centralizada ao redor do céu, por causa da sua conexão íntima com Deus e Sua habitação especial. Os verbos estão no pretérito. Quando salvos, não tem que vir à lei e suas aparências terríveis, mas tem que vir à graça e suas aparências maravilhosas. Eles já vieram e ainda estão lá. As oito características têm uma conexão mais lógica com o céu do que espacial. Cada uma das características é mencionada brevemente, o que devia lembrá-los de todos os resultados da graça, cada sentença curta abrindo avenidas pelas quais tinham sido instruídos a seguir antes, que os lembraria de seus grandes privilégios e os animaria a manter firmes sua profissão.

Todas as oito características, quando lidas, obviamente deviam lembrar o céu a alguém senão talvez a igreja; por isso a frase é acrescentada para mostrar sua conexão. Uma igreja do Novo Testamento é feitas de pessoas salvas que seguiram ao Senhor no batismo. O termo ‘primogênito’ é usada para descrever as pessoas que constituem tal igreja. O nome é usado para as pessoas salvas e é tirado do Velho Testamento, onde o ‘primogênito’ era uma pessoa de grande privilégio, como o é cada pessoa nascida de novo. Diz-se que estes membros de uma igreja estão arrolados no céu, não como local real. As igrejas do Novo Testamento estão aqui agora e ainda tem uma conexão íntima com o céu, porque seus membros estão arrolados no céu. O escritor lembra-lhes do grande privilégio como salvos pela graça, através destas oito coisas que aparecem em sua conversão. Os vários privilégios teriam valores passado, presente e futuro para cada santo. “O sangue” nos lembra do passado principalmente porque nossa dívida está paga. “Os espíritos dos justos aperfeiçoados” lembra-nos do futuro que algum dia teremos comunhão com os santos no céu, que não mais terão sua natureza pecaminosa, que mancha nossa comunhão agora uns com os outros, mas teremos comunhão com os santos que são perfeitos e não haverá causa para os atritos agora entre nós. Cada uma destas frases não é para ensinar-lhes novas verdades, mas para lembrar-lhes das velhas. Cada frase é só mencionada e espera-se que se lembrem de tudo o que cada uma significa, e quando fizerem isto o efeito desejado estará próximo. Os grandes privilégios da graça virão à mente e também o terror de viver pela lei como um caminho da salvação. “A igreja dos primogênitos arrolados no céu” vai lembrar a eles os privilégios presentes. A única organização que o Senhor tem para os santos sobre a terra, na qual poderemos encontrar comunhão cristã e trabalho unido é a igreja. O mundo não oferece nada para o salvo. Ter uma organização a qual possamos nos reunir e ter comunhão com os que têm as mesmas crenças e futuro, significa muito. Uma igreja do Novo Testamento é composta de crentes professos, os quais têm um destino comum; eles estão arrolados no céu. Renunciar a nossa profissão significa desistir deste grande privilégio. Onde encontraríamos uma comunhão melhor do que numa igreja do Novo Testamento? Os laços íntimos do crente estão lá.

Podemos supor uma situação semelhante para ilustrar. Se houvesse alguns cidadãos novos desanimados em nosso país, vindos da Rússia, poderíamos animá-los dizendo algo assim: “Vocês não viriam à Rússia, a Moscou, a capital mundial do comunismo, aos campos de concentração, a Stalin, o ditador cruel, a escravidão, mas vieram para os Estados Unidos, o lar dos livres, a uma economia que dá oportunidade para grandes avanços, a igrejas com liberdade de cultos e a lares com todos os utensílios modernos.” Eles podem não ter um novo lar, com os utensílios, mas já a oportunidade e privilégio nos Estados Unidos provê isto, então poderia ser mencionado como uma das grandes características de nosso país. O significado passado, presente e futuro estaria ligado a estas características variadas.

Interpretando assim, o que cremos ser correto, faz a palavra eclesia ter um bom sentido de acordo com seu significado comum de assembléia, e ao único tipo de assembléia cristã vista por todo o Novo Testamento. Por causa disto não podemos aceitar qualquer significado diferente para o termo aqui.

Por Edward Hugh Overbey

Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02
Revisão e editoração: Calvin, David and Daniel Gardner 03-03

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EXPLICAÇÃO DOS SÍMBOLOS
(#) – Título do livro – traduzido
(*) – Acrescentado para esclarecimento
(?) – Exemplo irrelevante. Omitido, pois não pode ser traduzido em português com um significado coerente.
(?) – Nota do editor. Pode referir-se ou ser comparado com a Bíblia Corrigida (João Ferreira de Almeida) à tradução do rei Tiago, e a Autoridade em português à Americana Padrão.